O AMOR É O TECIDO DA EXPERIENCIA
Presença, você, eu, é a testemunha e a substancia de toda experiência. E como não há nada além da experiência, Presença é tudo.
Como testemunha ela é Saber/Conhecer (vir a saber, conhecer, tomar conhecimento, tomar ciência, cognizar, tomar consciência). Como substancia ela é Ser (estar sendo, existindo).
Mas Saber/Conhecer e Ser não são dois aspectos distintos de Presença. Eles são um.
Presença Sabe/Conhece qualquer coisa Sendo aquela coisa. E Presença É uma coisa, Conhecendo essa coisa.
Isso é o que eu sou.
Essa identidade de estar conhecendo e de estar sendo é nossa mais direta e intima experiência. Na realidade isso é tudo o que se possa vir a experienciar.
Ela é conhecida como Amor.
Essa Presença é; e ela está presente. Se ela não fosse, e não estivesse presente, ela não seria Presença.
Nós, isso é, essa Presença, alguma vez experienciou ausência de Presença?
O que estaria presente para conhecer essa ausência?
Nós, isso é, presença, não pode conhecer sua própria ausência, por que ela teria que estar presente naquele conhecer, como aquele conhecer.
Não há jamais, uma experiência de ausência de Presença.
Dentro de que a Presença desapareceria? Dentro daquilo que é não-existente?
Como poderia aquilo que é, desaparecer em ou tornar-se, aquilo que não é?
E de que apareceria a Presença, em primeiro lugar?
Se Presença não estivesse presente, o que estaria (existiria)?
Não-existencia? Mas não-existencia não pode Ser.
Portanto não-existencia é não-existente. Só Presença é.
E se Presença é sempre-presente e tudo é essa Presença, pode alguma coisa desaparecer?
Uma não-coisa jamais deixa de ser porque não-coisa jamais vem à existência.
A substancia ou o ser (o estar sendo) de todo aparente objeto é unicamente Presença, e Presente é sempre.
Há somente uma substância, substancial, imutável, não-misteriosa, sempre conhecida, sempre experienciada, que jamais deixa de ser.
É essa substancia una (única), que toma a forma de todas as aparências sem jamais ser ou tornar-se nada além de si mesma.
que quer que seja conhecido é o conhecer da Presença conhecendo a si mesma.
O que quer que seja é Presença conhecendo a si mesma, sendo si mesma e amando a si mesma.
Presença não pode deixar de conhecer a si mesma ou de ser si mesma.
Mesmo em profunda ignorância, Presença está conhecendo e sendo si mesma. Ela é, ela é em amor consigo mesma.
Portanto não há nenhuma ignorância real.
Não existe nenhum esquecer. Não há nenhum relembrar. Não há nenhum perder ou encontrar.
Presença jamais é velada de si mesma, e portanto não há nenhum desvelar da Realidade.
Não há nenhuma auto-realização porque tudo o que é real em qualquer experiência já é o self.
Não há qualquer iluminação, pois Presença é já e eternamente a luz que ilumina a si mesma. Ela é aquilo no qual, através do qual e como o qual todas as aparentes coisas que são conhecidas, são conhecidas.
Não há qualquer despertar porque Presença já é sempre desperta em si mesma.
Como poderia algo ser conhecido se ele é não-conhecido?
Vendo claramente que ele é sempre conhecido?
Aquilo que é não conhecido não é conhecível. /e aquilo que é conhecido é sempre conhecido.
Assim todo movimento ou progresso é sempre do conhecer para o conhecer, o qual não é nenhum movimento ou progresso.
Aqui mesmo, essas palavras e qualquer outra coisa que esteja sendo experienciada nesse momento, são conhecidas, mas não há nenhuma outra substancia para essa experiência senão seu conhecer. (o tomar conhecimento dela). Isso é, seu estar sendo, sua substancia, é seu conhecimento, seu saber de si mesma.
Não há nenhum conhecedor dessa experiência e nada que seja conhecido. Há apenas o saber dela, o qual é simultaneamente idêntico a (o mesmo que) ser essa experiência.
E essa identidade de saber e ser é conhecida como amor.
O amor é o tecido dessa e de toda experiência.
Se isso não está claro, o que está escrito parecerá complexo, teórico e abstrato.
Contudo, se isso é obvio, isso é obvio, e o que está escrito aqui será visto como um modo simples de descrever a realidade da experiência, mesmo dentro do limitado espaço da linguagem.
O QUE EXPERIENCIAMOS?
O que é a experiencia de um objeto?
Tomo por exemplo uma arvore. Quando olhamos para uma arvore experimentamos uma percepção visual. Essa percepção nunca é apenas de uma arvore. A aparente arvore é sempre parte de uma percepção mais ampla que inclui o campo, o céu, outras arvores, etc. E essa própria experiencia está inclusa em uma experiencia maior que pode conter pensamentos, imagens e sensações.
Assim a idéia de uma “arvore” refere-se a ‘algo’ que nunca é experienciado como tal. Nós nunca experienciamos a arvore como ela é concebida.
O conceito “arvore” é uma abstração que é superimposta sobre a realidade da própria experiência, seja essa realidade o que for.
Não temos nenhuma duvida de que ‘algo’ ao qual nos referimos como ‘arvore’ está sendo experienciado, mas o conceito ‘arvore’ não descreve aquele ‘algo’.
Desvestidos da interpretação que a mente superimpõem sobre a própria experiencia, somos deixados com uma percepção visual.
O que não é assim tão imediatamente óbvio é que essa própria percepção visual também é superimposta sobre aquele ‘algo’ pelas faculdades perceptivas, os sentidos, ainda que ela (a percepção visual) seja em certo sentido, ‘mais próxima’ dele.
A arvore vê a si mesma? Saberia a arvore que ela é uma árvore? A árvore afirma ser uma árvore?
Quem diz que ela é uma árvore? É a mente apenas que faz essa afirmação.
A arvore ela própria, tem qualquer qualidade visual inerente que seja independente dos sentidos? Não.
Ver pertence aos sentidos, não á arvore. Cada um dos sentidos impõe sua própria característica, sobre o objeto experienciado.
Sabemos isso por experiencia própria porque ver persiste quando a arvore está ausente, por exemplo quando vemos um carro; contudo a percepção visual da arvore não persiste quando o ver está ausente.
As qualidades visuais da arvore de fato, pertencem aos sentidos.
Portanto o ver existe naquilo que vê, seja Isso o que for, e não naquilo que é visto.
O visto existe no ver.
Contudo não temos nenhuma dúvida de que existe ‘algo’ para haver nossa experiencia da arvore. O que é esse ‘algo’?
Qual é a realidade da arvore quando ela é despida de ambos, a superimposição conceitual da mente e a superimposição perceptiva dos sentidos?
O que quer que isso seja, isso está indubitavelmente presente e contudo não tem quaisquer qualidades objetivas.
O que quer que isso seja, isso também está sendo experienciado.
O que é em nossa própria experiencia, que está indubitavelmente presente e ainda assim não tem nenhuma qualidade objetiva?
Isso é Consciência, nosso Ser.
Assim, é nossa experiencia intima e direta que a Realidade da arvore é idêntica à Realidade de nosso ser, Consciência.
Não há duas coisas, um vidente e um visto em nossa experiencia real. A Realidade do vidente e a realidade do visto é uma substancia única e essa substancia é nosso ser, Consciência.
Desse modo tomamos o objeto, como se ele estivesse de volta dentro de nosso ser. De fato, o objeto nunca deixou nosso ser.
Nós vemos que isso é nosso ser, Consciência, o qual toma a forma do ver para tornar-se o mundo visual, que toma a forma do escutar para tornar-se um som, que toma a forma do gosto para tornar-se um sabor que toma a forma do cheirar para tornar-se um cheiro e que toma a forma do tocar para tornar-se uma textura.
E assim fazendo, isso nunca se transforma em nada que não seja si mesmo.
End - pág 25 On Essays of Contemplating the Nature of Experience.
Presença só conhece Si mesma
Em minhas contemplações durante a vida diária eu sou empurrado para fora da Auto –Identificação pela auto sabotagem ou medo, dúvida, e pensamentos pessimistas. Eu estava pensando, como você aconselharia a transcendência desse obstáculo?
O verdadeiro Ser não precisa se identificar consigo mesmo para ser ele mesmo.
Identificação é sempre a identificação do verdadeiro Ser (Presença que sabe ou Consciência) com um objeto, que é com o corpo.
Identificação significa ‘ser um com’ ou ‘o mesmo que’. Auto-identificação significa ‘aquilo com o qual o Ser (Presença ou Consciência) é idêntico. ’
Realmente o Ser é apenas idêntico a si mesmo, somente um consigo mesmo. Não há mais nada presente com o qual ele pudesse ser idêntico. Não há ‘duas coisas’.
É apenas um pensamento que parece identificar o verdadeiro Ser, Presença que Sabe ou Consciência com um fragmento, que é o corpo e a partir disso parecendo ter se tornado uma entidade separada.
Presença Sabedora ou Consciência é o fato primário de nossa experiencia. Ela é aquilo no qual toda a experiencia acontece e ultimamente, aquilo a partir do qual toda experiencia é feita,
Dentro dessa Presença que Sabe ou Consciência (e feito de nada alem dessa Presença Sabedora ou Consciência) uma sensação corporal aparece. Essa sensação é seguida de um pensamento (o qual também aparece em e é feito de nada mais do que essa Presença) e o pensamento torna-se ‘eu’ Presença Sabedora, sou essa sensação corporal’.
Com esse pensamento a Presença Sabedora ou consciência torna-se identificada com uma sensação corporal e como resultado, o ‘eu sou’ que é inerente a ela torna-se ‘eu sou o corpo’.
Contudo, essa identificação com um corpo apenas parece acontecer. Presença Sabedora ou consciência apenas parece tornar-se identificada com o corpo.
Alem disso, esse ‘corpo’ com o qual Presença Sabedora parece estar exclusivamente identificada, não é nada alem de um pensamento, uma imagem e uma sensação, aparecendo dentro da Presença Sabedora e feita de nada mais do que Presença Sabedora.
Portanto não há nada mais presente na aparente experiencia do corpo do que Presença Conhecedora, com a qual a Presença Conhecedora pudesse se identificar.
Com essa aparente identificação da Presença ou Consciência com o corpo, uma nova entidade é criada. Essa nova entidade parece ser ambos, consciente (porque Consciência é parte daquele composto ‘Consciência/corpo) e limitada (porque o corpo, também parte dessa nova entidade composta, é limitado).
Como resultado dessa associação exclusiva da Consciência com uma sensação limitada, Consciência parece tornar-se limitada.
Em outras palavras Consciência parece tomar as propriedades da sensação corporal (limitada) e o corpo parece tomar as propriedades da Consciência (Saber, experienciar, presença, ‘eu-ismo’, ‘sou-ismo’).
Desse modo a Consciência, o verdadeiro ‘eu’ torna-se exclusivamente misturado com um corpo e parece, como resultado, ter se tornado uma entidade pessoal que é dotada com Consciência e Ser. Ela torna-se o sabedor pessoal, o sentidor.
Resumindo as qualidades de não-limitude e impessoalidade da Presença Conhecedora ou Consciência são apropriadas pela entidade imaginariamente separada e torna-se o que convencionalmente chamamos de ‘eu mesmo’, que é, o ‘eu’ pessoal.
Esse ‘eu’ pessoal parece estar investido com todas as qualidades que a Consciência possui que é Consciência de estar sendo ou Presença. Em outras palavras o ‘eu’ pessoal pensa e sente que ele é consciente e presente.
Porem o eu pessoal não é nada mais que o pensamento que o pensa.
Tendo dito isso, vamos olhar de novo o sentimento de ser ‘empurrado para fora da Identificação do Ser pela auto-sabotagem ou medo, dúvida e pensamentos pessimistas’.
Quem é esse que é empurrado para fora da Identificação com o Ser?
Presença Conhecedora, Consciência, você, nós, ‘eu’, nunca é empurrado para fora de nada. Ele é sempre e apenas ele mesmo. Ele sempre conhece apenas si mesmo.
Presença Sabedora, parece ter se tornado uma entidade pessoal quando ela vela (cobre com um véu) sua verdadeira natureza de si mesma com essa identificação exclusiva com o corpo.
Essa aparente identificação é trazida a tona pelo pensar e é consubstancializada pelas sensações no corpo que parecem confirmar a crença de que ela, Presença, é uma entidade pessoal. (final pág 26)
Contudo, essa entidade aparente é apenas uma crença, uma interpretação que é adicionada a uma sensação corporal.
A própria Presença nunca está realmente identificada ou desidentificada com coisa alguma.
Então tudo o que se necessita é compreensão ou visão clara.
O ‘eu’ individual, nunca é empurrado para fora da Auto-Identificação porque o ‘eu’ individual é não-existente como tal.
Só existe o verdadeiro ‘eu’, o verdadeiro Ser, Presença Conhecedora ou Consciência, e ela é sempre apenas ela mesma. Não há nenhum outro alem de si mesma. Ela é ‘Um-sem-um-segundo’.
Veja claramente que não há nada a ser transcendido e nenhum obstáculo para ser vencido.
Se medo, duvida e pensamentos pessimistas surgem, veja claramente que eles estão baseados no pressuposto de que ‘eu’, nós, Consciência, somos essa entidade limitada.
É essa entidade separada que é amedrontadora, duvidosa e pessimista. Contudo, uma vez que se veja claramente que não somos essa entidade limitada, separada, que essa entidade separada, limitada não é existente como tal, que essa é simplesmente uma ideia que surge no ‘eu’ real, o que acontece a esse medo, duvida e pessimismo?
Medo, dúvida e pessimismo acontecem na inadvertência. Eles não podem manter-se se vistos claramente.
Essa entidade fictícia se dissolve na luz clara da compreensão.
1 comentários:
oi svarupo!
indo e vindo,
acontece,
nunca estivemos separados,
nem agora, nem nunca,
alegria em te reencontrar...
namastê!
abraços com calor do sul maravilha
vinaya
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