JEAN PIERRE GOMEZ
Q: Quando vc usa a antiga analogia de consciência do tipo espaço, para o que você realmente está apontando?
Os antigos Santos e Sábios usaram a analogia de consciência tipo espaço por algumas boas razões, primeiro de tudo é que tudo que percebemos está contido no espaço, onde quer que você vá existe espaço e ele é infinito. Ele não é uma coisa que a mente possa captar. Ele é sempre intocado e imutável.
Todos os objetos precisam de espaço para estar presentes, para aparecerem; espaço é sempre primário, o fundo imutável onde todos os objetos aparecem. Com a Atenção pura ou consciência, ele é o mesmo principio, todo objeto e cada coisa está contida na sempre presente e imutável atenção pura; ela é sempre intocada pelo tempo e pelas coisas como um espelho é sempre intocado pelos objetos que são refletidos nele.
A menos que alguém aponte para nós que aquele espaço é realmente a primeira coisa que vemos, quando abrimos nossos olhos, e que tudo aparece nesse espaço imutável. Podemos nunca notar que espaço é a coisa primária que vemos. Para a maioria das pessoas o foco está apenas no conteúdo do espaço, os objeto e movimentos aparecendo nele.
Com pura consciência de presença é o mesmo, a menos que alguém venha e nos aponte o obvio, podemos passar nossa vida inteira focando nos objetos e movimentos na imutável e sempre presente Atenção que nós somos. Ela é o primordial, ela é imutável. Todos os objetos, formas, moldes, imagens, pensamentos, sentimentos, emoções etc... Eles todos aparecem e desaparecem na imutável presença de consciência. Simplesmente como todos os objetos aparecem e desaparecem todo o dia no imutável espaço dentro de nós mesmos.
Simplesmente note o que está sempre presente como sua verdadeira natureza, a imutável presença de consciência que é o sempre real e imutável você. Isso é o que você realmente é. Todos os assim chamados maus e bons pensamentos ou sentimentos dolorosos são sempre reconhecidos e registrados na presença de consciência que você é. Você está sempre consciente do que surge em você, seja os pensamentos agradáveis ou os pensamentos perturbadores ou sentimentos, você sabe.
Tudo aparece e desaparece naquela imutável presença que é tão familiar, o verdadeiro voe ou seu estado natural. Realize ou note que aquilo está consciente e vivo, aquilo é a presença viva obvia ou apura consciência para a qual eu estou apontando. Ela não é uma coisa ou um objeto par ser pego, simplesmente o reconhecimento de sua familiar presença de ser, ou vivicidade, a presença da existência. A pura presença cognitiva e registradora, a inteligência viva ou Consciência.
Sua verdadeira natureza está sempre presente como um sol sempre brilhante, como o céu imutável ou o espaço que não se pode tocar ou agarrar. Ele é a comum e cotidiana presença de existência primaria que ilumina o mundo, que você vê através de seus olhos exatamente agora.
Você poderia estar consciente de qualquer coisa dentro ou de você sem que seu estado de ser ou sua Consciência/Atenção estivesse presente primeiro? Você tem que estar consciente para quer qualquer coisa seja registrada por você. Você é aquela consciência ou despertude ordinária. Aquilo é sua natureza.
Assim como espaço é primordial/primário para que os objetos apareçam nele (dentro ou sobre ele), sem aquela presença primaria de vivicidade ou pura ‘despertude’, você não poderia ter qualquer coisa surgindo em você e sendo percebida por você. Você tem que estar presente e consciente, vivo e desperto para que algo possa ser registrado e para que isso apareça para você como isso ou aquilo.
Não é difícil notar a presença familiar e imutável que você realmente é, sua natureza verdadeira ou Estado Natural. Ela está sempre alerta (acordada) de tudo, como uma câmara de vídeo ela está registrando tudo o que aparece e desaparece sem pensar sobre isso. Sua verdadeira natureza é esse registrar de todos os emergentes pensamentos, sentimentos, sons, imagens, etc... Isso é simples, ordinário, tão familiar que a menos que isso lhe seja apontado, ele é facilmente perdido ou ‘desapercebido’. Contudo isso é o real e imutável você, nada mais que isso.
Você já é aquela presença imutável de existência ou ‘despertude’, como espaço você não pode jamais separar a si mesmo da pura presença de consciência, ‘despertude’, ou seja, de seu verdadeiro ser. Pause os pensamentos por um instante e note que você permanece como aquela obvia e ‘incompreensível’ percepção pura, aquela atenção registradora ou existência.
Realize nesse instante que você já está em casa e sempre esteve em casa. Você não pode ser nada alem daquela pura consciência de presença ou pura consciência. Aquilo é o que você é verdadeiramente, essa obvia e familiar presença ou essa imutável atenção tipo espaço que você é primariamente.
Não caia na armadilha de tentar se tornar no tempo algo especial ou extraordinário, essa é a armadilha da mente. Isso é o que impede de reconhecer a ordinariedade do que você verdadeiramente é. Abandone todas as idéias errôneas adquiridas e crenças que você tem, todas elas fruto de anos de falso condicionamento, simplesmente abandone-as já e desnude-se mentalmente do passado morto, de memórias mortas, de crenças mortas.
Realize que todas as crenças e condicionamentos que você aceitou como verdadeiras durante anos são apenas conhecimento adquirido de outros. Ele apenas parece existir em suas memórias, no passado, no tempo, em pensamentos. Dispa-se mentalmente para o sempre novo e sempre fresco momento de existência, do agora, que é a realidade ou o seu verdadeiro momento de existência, não há nenhum outro momento de existência alem do agora. Pare de procurar ou a buscar fora de si mesmo no tempo por algo diferente ou algo a mais a ser adquirido além daquela presença ordinária que você é e sempre foi.
Compreenda que apenas a falsa crença no mundo ilusório, dualístico e continuamente mutável é que o mantém na sensação de perda do você verdadeiro e imutável; assim como o olho não pode ver a si mesmo, você não pode negar que existe uma presença viva de Atenção/Consciência vendo através de seus olhos. Você não é cego! Existe um ver puro ou um perceber o mundo que está acontecendo sem nenhum esforço, durante todo o dia. Você é aquela presença viva, aquela Atenção-inteligente percebedora. Aquela ordinária e cotidiana presença de Atenção/consciência que está registrando tudo de forma natural e sem esforço e olhando através de seus olhos exatamente agora, nesse instante. Aquela é sua verdadeira natureza de Ver (Ver é sua natureza).
Compreenda, você já é totalmente inteiro, completo, essa é a verdade sobre você. Nunca existiu um ‘mim’ separado ou uma entidade individual tocando o show, que tenha qualquer poder de fazer algo por sua conta. Não há nenhuma entidade chamada “mim”, “eu”, mente ou ego que exista de fato, nem mesmo por um segundo, separada de sua verdadeira natureza. Sua verdadeira natureza é o único e verdadeiro poder da existência, e está sempre com você agora. Ela está vivendo sua vida por você, funcionando e desenvolvendo seu corpo a cada momento, sutilmente e sem esforço.
De novo, isso é tão obvio para você, tão sem esforço. Sua natureza verdadeira está vendo através de seus olhos exatamente agora, escutando através de seus ouvidos, sentindo através de seu corpo, todos os seus pensamentos e emoção
2 comentários:
Vedantino.
VERDADEIRO
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