SEM LIMITES
by Randall Friend http://avastu0.blogspot.com/
Tradução livre: André Svarupo - andresvarupo@hotmail.com
Quando dizemos “eu sou”, estamos confirmando nosso ser, estamos confirmando que estamos certos e somos íntimos com o que exatamente está sendo apontado neste e em qualquer outro escrito sobre não-dualidade.
Estamos certos disso, e ainda assim ele não é um conhecimento objetivo, não é uma coisa, um objeto de nossa experiência. A mente não gosta de ficar em terreno incerto – ela deve resolver as coisas de uma maneira objetiva. Portanto as identificações aparecem – Eu sou o corpo, eu sou a mente, eu estou pensando. . .
Assim, inicialmente, nós apontamos para esse mundo objetivo, apontando que nesse mundo objetivo, o que você é não é uma coisa para ser encontrada, não é uma experiência objetiva. O que você é, é o sujeito para o mundo, e alem disso é também sujeito para o corpo, sujeito para os pensamentos. Você está consciente deles.
Em outras palavras, você é o sujeito, ainda assim não parece que podemos apanhar isso como um sujeito, você não pode ser localizado. Você não pode ser encontrado em termos de objetos ou experiências. Você é o sujeito. Qual é a natureza do sujeito?
Você já pode responder isso com certeza, pois você é isso. Ser o sujeito significa saber, estar atento de, ser aquilo para quem o objeto aparece, ser aquilo pelo qual o objeto é conhecido. Não é isso o que a palavra “sujeito” significa?
Assim, como sujeito, você não pode aparecer para si mesmo, você não pode conhecer você mesmo objetivamente, através de uma experiência. Ainda assim você sabe que você É – porque você pode dizer “eu sou” (eu existo), com certeza.
O que isso significa? Isso significa que O QUE você é, não é localizável, não é uma forma ou um conteúdo ou um objeto ou uma experiência. É simplesmente você. Você sabe que você existe – isso significa que você sabe que você está presente, de algum modo, sem ser encontrável como outra experiência.
Você sabe que existe (que é), porque SABER está acontecendo. Não é verdade? Saber está acontecendo – saber está presente – não é assim que você sabe que você existe? Não é esse saber a subjetividade a qual nos referimos através das palavras “eu sou”?
Então podemos dizer que o “sujeito” é SEMPRE Consciência (despertez). É sempre o que ‘chamamos’ de Consciência.
Isso é de fato tão auto-evidente que não é enxergado. Isso não é visto por que a mente precisa de alguma ‘coisa’ na qual situar essa existência. Um corpo. Uma mente.
Contudo, na realidade presente ou em experiência, conhecemos a nós mesmos como o sujeito de cada experiência – mas não vemos que o próprio sujeito não é encontrável como uma outra experiência – o sujeito tem sido sempre apenas essa presença do saber – consciência-presença – ou seja qual for a palavra que você goste de usar.
Quando examinamos o que significa ser a consciência-sujeito, descobrimos que a natureza dessa “consciência” é sem limites, sem forma, sem atributos, sem bordas. Não podemos encontrá-lo, assim como o espaço, e ainda assim ele preenche tudo – ele é a base ou o chão de toda experiência. Descobrimos que nossa natureza é ilimitada, como o espaço.
Contudo mesmo o espaço você objetiva – espaço é um objeto da consciência. Espaço não conhece você – você conhece o espaço. Similarmente o tempo não o objetiva, você objetiva o tempo – você conhece o tempo. Não encontramos nada que possa objetivar essa presença de saber, e ainda assim ela é o mais real, o mais inegável aspecto de qualquer experiência. Toda experiência é variável, mutável, temporária, vem e vai. Sua presença é estável, invariável, ilimitada.
Simplesmente note o que é a realidade mais estável em toda uma vida de experiências – o sempre aqui, o sempre-consciente – você sabe que está sempre aqui, que é sempre o “sujeito” o qual é ele mesmo o saber do mundo, do corpo, da mente. Voce é a ilimitada atividade de saber.
Um homem uma vez perguntou ao guru como ele definia a Verdade. O guru disse: “Verdade é aquilo que nunca pode ser negado”. O homem perguntou: “Existe tal coisa?” O guru disse: “Sim. Ela é o seu SER”.
Seu SER é aquilo que jamais pode ser negado – em uma vida inteira de experiências as mais variadas, você jamais esteve ausente ainda que você jamais possa ser definido em termos de limites ou fronteiras.
Em outras palavras, você é ilimitável.
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