As palestras finais de Sri Nisargadata Maharaj © 1994, The Acorn Press
14 de Maio de 1980
Tradução livre de Swami Sunder Svarupo / andresvarupo@hotmail.com
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N: Os médicos diagnosticaram que este corpo tem câncer. Alguma outra pessoa estaria tão contente como eu estou com um diagnóstico tão sério? O mundo é sua experiência direta, sua própria observação. Tudo o que está acontecendo está acontecendo nesse nível, mas eu náo estou nesse nível. Eu me dissociei de Sattva Guna, “Seidade” (estado de ser).
O estado ultimo da espiritualidade é aquele estado onde nenhuma necessidade é sentida em nenhum momento, onde nada é útil para nada. O estado é chamado Nirvana, Nirguna, aquele que é a verdade ultima e eterna. A essência e o somatório total desta conferencia inteira é chamada Sat-guru Parabrahma, o estado onde não existe quaisquer requisitos.
Após a dissolução do universo, quando nenhum vestígio posterior da criação estava aparente, o que permanece é meu estado perfeito. Por toda a criação e dissolução do universo, eu permaneço sempre intocado. Eu não havia exposto esta parte: meu estado nunca sentiu nem a criação nem a dissolução do universo. Eu sou o principio o qual sobrevive a toda as criações, todas as dissoluções. Este é meu estado, e seu também, mas voce não o realiza porque voce está abraçando sua seidade (estado de ser). S’o é possível realizar isso quando se obtém suporte de uma fé invencível, vinda daquele eterno Sat-guru Parabrahma. Este estado, este principio Parabrahma eterno e é também o Sat-guru. Ele é a eterna propriedade de qualquer devoto de um Guru.
29 de Julho de 1980.
E: Por que esta consciencia surge?
M: Voce é ambos a pergunta e a resposta. Todas as suas perguntas vem de sua identificação com o corpo. Como pode qualquer pergunta relacionada àquilo que é anterior ao corpo e consciencia ser respondida? Há yoguis que se sentaram em meditação por muitos, muitos anos buscando respostas para esta questão, mas nem mesmo eles puderam compreendê-las. Ainda assim voce reclama.
Q: Isso é um grande mistério
M: É um mistério apenas para o ignorante. Para aquele náo identificado com o corpo, ele náo é mais um mistério.
Q: Maharaj não pode revelá-las para nós?
M: Eu continuo dizendo a vocês, mas vocês não escutam.
Q: Maharaj nos vê como indivíduos?
M: Náo existem indivíduos; há somente corpos de comida com o conhecimento “eu sou”. Não há nenhuma diferença entre uma formiga, um ser humano, e Isvara; Eles são da mesma qualidade. O corpo de uma formiga é pequeno, um elefante é grande. A força é diferente, por causa do tamanho, mas a força vital é a mesma. Para o conhecimento o corpo é necessário.
Q: Como Maharaj obteve o nome Nisargadatta?
M: Uma vez eu estava compondo poemas. Poemas costumavam fluir de mim e nesse fluxo, eu simplesmente adicionei Nisargadatta. Eu estava compondo poemas até que meu Guru me acautelou, “voce está curtindo demais esses poemas; abandone-os!”.
A que ele se referia? Seu objetivo era que eu me fundisse no estado Absoluto ao invés de (reveling) deleitar-me em minha “Seidade” (estado de ser).
Esta foi a forma como eu realizei conhecimento, não através de manipulação mental. Meu Guru me disse: “Isso é assim”, e para mim, isso era a palavra final! Se voce continua nas imediações do intelecto você se tornará emaranhado e perdido em mais e mais conceitos.
A Consciencia está fluindo no tempo continuamente. Mas eu, o Absoluto, não terei sua companhia eternamente porque a consciencia é limitada pelo tempo. Quando essa “seidade” se vai, o Absoluto não conhecerá “eu sou”. Aparecimento e desaparecimento, nascimento e morte, estas são qualidades da “seidade”; eles náo são suas qualidades. Voce urinou e o odor está vindo daquilo – voce é o odor?
Q: Não, eu não sou.
M: Você não necessita mais sadhana . . . Para voce, as palavras do Guru são definitivas.
5 de Outubro de 1980
M: Eu náo tenho nenhuma individualidade. Eu náo poso como uma pessoa. O que quer que aconteça na consciencia manifesta acontece.
As pessoas me identificam com seus conceitos e elas fazem o que seus conceitos lhes dizem. É a consciência que se manifesta nada mais. Quem está conversando, quem está caminhando, quem está sentado? Estas são expressões daquela química “eu sou”. Voce é aquela química? Voce fala sobre paraíso e inferno, este Mahatma ou aquele, mas e voce? Quem é você?
Em meditação a pessoa vê um monte de visões. Elas estão a química, nas profundezas da consciencia, náo estão?
Conhecimento spiritual não deveria ser estudado; ele é conhecimento advindo do escutar. Quando o ouvinte o escuta e o aceita, algo clica dentro dele.
Essa “Seidade” é alteridade; ela é uma expressão da dualidade.
08 de novembro de 1980
Q: Por que nós pensamos a nós mesmos como indivíduos separados?
M: Seus pensamentos sobre individualidade náo são realmente seus pensamentos; Eles são todos pensamentos coletivos; Você pensa que você é aquele que tem os pensamentos; de fato pensamentos surgem na consciencia.
À medida que nosso conhecimento espiritual cresce nossa identificação com um corpo- mente individual diminui, e nossa consciencia se expande em consciencia universal. A força de vida continua a agir, mas seus pensamentos náo são mais limitados a um individuo. Eles tornam-se a manifestação total. É como a ação do vento – o vento náo sopra para nenhum individuo particular, mas pela manifestação total.
Q: Como indivíduos podemos voltar à fonte?
M: Não como indivíduos; o conhecimento “eu sou” deve voltar para sua própria fonte.
Agora a consciencia está identificada com uma forma. Mais tarde ela compreende que ela não é aquela forma e vai além. Em poucos casos ela pode alcançar o espaço, e muitas vezes, há uma parada. Em muito poucos casos ela alcança sua fonte real, para alem de todo condicionamento.
É difícil desistir da inclinação de identificar o corpo como sendo o self. Eu náo estou falando para um individuo; Eu estou falando para a consciencia. É a consciencia que deve buscar sua fonte.
Daquele estado de não ser vem o ser. Ele vem tão quietamente como o entardecer (twilight), com somente um senso de “eu sou” e então derepente o espaço está lá. No espaço, movimentos se iniciam com o ar, o fogo, a água, e a terra. Todos esses cinco elementos são somente voce. De sua consciencia aconteceu tudo isto. Náo há nenhum individuo. Há somente você, o funcionamento total é você, a consciência é voce.
Voce é a consciencia, todos os nomes dos Deuses são seu nome, mas por se agarrar ao corpo voce se aprisiona ao tempo e a morte – voce está impondo isso a si mesmo.
Eu sou o universo total. Quando eu sou o universo total eu náo necessito de nada, porque eu sou tudo. Mas eu alijei a mim mesmo em uma pequena coisa, um corpo; Eu fiz de mim mesmo um fragmento e tornei-me cheio de necessidades. Como um corpo eu preciso de tantas coisas.
Na ausência de um corpo, você existe ou existiria? Voce está ou estaria lá ou náo? Alcance aquele estado o qual era anterior ao corpo. Sua verdadeira natureza está aberta e livre, mas voce a cobre, voce dá a ela varias versões, vários desenhos.
09 de novembro de 1980.
Q: O que Maharaj está nos ensinando deveria ser ensinado as crianças?
M: Náo. Se isso for feito, eles náo terão nenhuma ambição para crescer; elas devem ter certas ambições, certos desejos, para um crescimento apropriado.
Aquele que investigou totalmente a si mesmo, aquele que veio a compreender, nunca tentará interferir no jogo da consciencia. Náo há nenhum criador com um assim dito vasto intelecto. Todo este jogo acontece espontaneamente. Não existe um intelecto por trás dele, assim náo tente impor o seu a fim de mudar algo; deixe estar. Seu intelecto é um subproduto desse processo, assim como pode seu intelecto fazer qualquer mudança ou mesmo avaliar toda a criação? Investigue seu self; Este é o propósito de seu ser.
Espiritualidade náo é nada mais do que compreender este jogo da consciencia – tente encontrar o que é este jogo enganador, buscando sua fonte.
12 de novembro de 1980
M: A “Seidade”, o Brahman manifesto, e Isvara são todos um único; Pondere sobre isso e o realize. Esta é uma rara oportunidade, onde tudo foi exposto em grande detalhe, assim tire o Maximo de vantagem dela.
Voce é o Brahman manifestado. Eu lhes disse muitas vezes o que é seu verdadeiro estado, mas por força do habito, vocês entram em identificação com o corpo de novo. Chegou um estagio agora no qual vocês devem abandonar a identificação com o corpo. As atividades corpóreas continuarão até que o corpo cesse, mas vocês náo deveriam identificar-se com elas.
Q: Como faremos isso?
M: Voce pode observar o corpo, então voce não é o corpo. Voce pode observar a respiração, então voce náo é a respiração. Do mesmo modo, voce não é a consciencia; mas voce tem que se tornar um com a consciencia. Assim que voce se estabilizar na consciencia, um desapaixonamento pelo corpo e pelas expressões através do corpo ocorrerão naturalmente. É uma renuncia natural, não deliberada. Isso não significa que voce deveria negligenciar suas tarefas mundanas; você deve levá-las a cabo com total zelo.
Q: Nós náo deveríamos redescobrir a liberdade da criança no corpo?
M: Compreenda a fonte da criança. A criança é um produto do esperma do pai e do óvulo da mãe. A consciencia está na criança assim como está nos pais; é sempre a mesma consciencia tanto na criança como no adulto. Só existe uma consciencia. Voce deve tornar-se um com a consciencia e estabilizar-se nela, e depois, transcendê-la. Esta consciencia é seu único capital. Compreenda isso. A que extensão voce conhece a si mesmo?
Q: Eu toquei os pés de Sat-guru, além disso, eu não sei nada.
M: Voce deve fazer isso, mas voce devia compreender o significado de “pés de Sat-guru.” Compreenda que como o movimento começa dos pés, assim também movimento começa do não-saber para o saber. Quando o saber ocorre, isso é o movimento Sat-guru. Vá para a fonte do movimento onde a “Seidade” começa. O esforço daquele que capturou aquele movimento não será perdido. Segurar os pés do Sat-guru é a fronteira entre o saber e o não-saber.
17 de Novembro de 1980
Q: Nós não temos que descartar todo conhecimento?
M: Voce deve ter um conhecimento amplo dessa consciencia, e tendo conhecido tudo sobre a consciência você chega à conclusão que ela é toda irreal e então deveria ser abandonada. Tendo escutado estas palestras, sente-se e medite, “Aquilo que eu ouvi, é verdade ou náo?” Então voce entenderá que isso também deve ser descartado. O principio que pode fazer julgamento se o mundo é ou não, esse principio antecede o mundo. Aquilo pelo qual tudo é conhecido, se algo é ou não – quem o conhece? Quando eu digo Parabrahman, então voce diz que voce compreende. Nomes são meramente um instrumento para se comunicar. Voce compreende isso a que eu me refiro?
Q: O jnani sabe que tudo isso é uma ilusão, que não existe caminho; mas se, de dentro da ilusão, se está convencido que há um caminho, e de que há um lugar para ir, faz sentido usar técnicas para chegar àquela próxima ilusão?
M: Ilusão – isso é uma palavra ou não?
Q: Ela é uma palavra relacionada a um conceito.
M: Isso também é só um nome, náo é?
M: Então que palavra ilusória voce quer, que o satisfará?
18 de Novembro de 1980
M: Minha aparência presente é sem limitação, total liberdade.
Em ultima instancia deve-se ir além do conhecimento, mas o conhecimento deve vir, e ele pode vir pela meditação constante. Meditando, o conhecimento “eu sou” gradualmente se assenta e funde com o conhecimento universal, e daí em diante torna-se totalmente livre, como o céu, ou o espaço.
Aqueles que vêm aqui com a ideia de obter conhecimento, até mesmo o conhecimento espiritual, vêm aqui como indivíduos aspirando obter algo: esta é a dificuldade real. O buscador deve desaparecer. Quando voce conhece sua natureza real o conhecimento “eu sou” permanece, mas aquele conhecimento é ilimitado. Não é possível a voce adquirir conhecimento, voce é conhecimento. Voce é o que voce está buscando.
Seu verdadeiro ser existe anterior ao surgimento de qualquer conceito. Pode voce como um objeto, compreender algo que existe antes do surgimento de um conceito? Na ausência de consciencia, existe qualquer prova da existência de algo? Consciencia em si mesma é mente, é pensamento, é toda um fenômeno, toda manifestação. Apreender isso é morrer para o “eu sou o corpo” enquanto vivo. Este tipo de conhecimento vem somente em raros casos e é um tipo de conhecimento muito (elusive) onde nenhum esforço é necessário; de fato, o esforço em si é um impedimento. Trata-se de compreensão intuitiva.
Q: Então toda disciplina spiritual deveria ser abandonada?
M: No nível mais alto é assim; nos níveis anteriores voce deve fazer seu dever de casa.
Aqueles que são intuitivamente capazes de pegar isso, perdem seu interesse em afazeres mundanos. Tendo perdido os mesmos, o que eles obterão? O que quer que seja que eles tenham perdido, eles a terão perdido como uma pessoa comum, mas o que eles obtiveram em retorno só caberia a um rei. Aqueles que compreenderam e que alcançaram certo estagio não pedirão nada, mas tudo lhes será dado espontaneamente. Náo haverá nenhum desejo por aquilo; contudo, mas aquilo estará disponível. Isso não acontece para um individuo – isso acontece para a manifestação universal, para aquele que tornou-se uno com sua verdadeira natureza. Para o jnani, somente testemunhar está acontecendo.
20 de Novembro de 1980
M: O principio que pode conhecer a si mesmo está no organismo. Em um verme rastejante, ele está lá, porque o verme conhece a si mesmo instintivamente. Escutando a minhas palestras voce será transformado de volta a seu estado original, anterior a seu nascimento. Agora mesmo, apesar de sua vida presente, isso acontecerá. Minha palestra atual é muito diferente agora, a um nível mais alto; daí eu não convido ninguém a ouvir a minhas atuais palestras. Minha recomendação é que ninguém venha e escute porque eles desenvolverão um desapaixonamento por suas famílias e pela vida diária.
A energia linguagem e a energia respiração vital deveriam fundir-se e se estabilizar. De outra forma, se voce permite que eles saiam, eles se dissiparão. Se voce quer paz, estabilize-se naquele ponto onde voce começou a ser, permaneça lá. OM é o som náo tocado, a palavra impronunciada.
Voce não responde a minhas palestras, voce não tem sido capaz de perceber a natureza de sua consciencia. Consciencia é algo como o drama de uma peça, em atuação. Voce não tem nenhum suporte. O nascimento, os pais, é tudo ilusão. Tomar o corpo por você mesmo é o acidente. Se voce náo se apega ao corpo como sua identidade, tudo estará bem.
Quando “seidade” esquece a si mesma, o estado é Parabrahman. Este saber náo é sua verdadeira natureza, ele é o resultado do corpo de comida, e você, o Absoluto, não é isto.
21 de Novembro de 1980
M: O que quer que eu tenha pensado antes agora mudou. O que está acontecendo agora é eu até mesmo o mais sutil toque de individualidade desapareceu completamente e é a consciencia em si mesma que está experienciando espontaneamente. O resultado é liberdade total. Todo o tempo havia uma completa convicção de que era a consciencia que estava experienciando; mas aquele “eu” o qual era a consciencia, estava lá. Agora ela desapareceu totalmente; assim o que quer que aconteça no campo da consciencia, eu, que estou lá antes da consciencia, náo estou preocupado de nenhuma forma. A experiencia é de consciencia experienciando a si mesma
Contudo, compreenda o que é consciencia, ainda que consciencia náo seja um individuo. A base e fonte da consciencia estão no material. O que eu digo ainda está no mundo conceitual, e voce náo precisa aceitá-lo como verdade. Nada no mundo conceitual é verdade.
Uma vez que a doença foi diagnosticada, o próprio nome da doença iniciou vários pensamentos e conceitos. Observando aqueles conceitos e pensamentos eu cheguei à conclusão que tudo o que está acontecendo está na consciência. Eu disse à consciência, “é voce que está sofrendo, náo eu.” Se a consciencia quer continuar a sofrer, deixe-a permanecer no corpo. Se ela quer deixar o corpo, permita. De todo modo eu náo estou preocupado.
Todo tipo de coisas estava acontecendo, pensamentos e experiencias, e eles foram creditados para minha conta, mas uma vez que eu vi o que era, todos aqueles livros de contabilidade foram queimados e eu náo tenho mais livros de contabilidade.
Quão surpreendente é ver alguém que pensa a si mesmo como um individuo, que pensa a si mesmo como o realizador ou um adquirente. O que quer que esteja acontecendo, e o experienciar desse acontecimento, ele se dá nessa consciencia quando o “eu sou” aparece.
24 de Novembro de 1980
Q: Se não há nenhuma diferença entre o que é anterior ao nascimento e o que é posterior à morte, se não há diferença, há qualquer razão para tentar aprender quem somos agora? Não é tudo o mesmo?
M: A luz vinda do sol e o próprio sol – há alguma diferença?
Q: A única diferença é o que acontece no meio?
M: Tudo que acontece entre o nascimento e a morte é também apenas uma expressão da consciência. Até mesmo no limite da consciencia voce passa o tempo entretido em vários conceitos; O que mais voce faz?
Q: Maharaj está jogando com vários conceitos?
M: Não. É a consciência, ela joga por si mesma.
Q: A consciencia de Maharaj joga, mesmo que ele esteja destacado dela?
M: A consciencia não é uma propriedade privada, ela é universal.
Q: Ainda que compreendamos isto, algumas vezes ela parece confinada no corpo.
M: Voce está tentando compreender com o intelecto; apenas seja. Quando eu lhe digo que voce é aquela dinâmica – conhecimento manifestado, significa que voce é tudo. O que mais voce quer?
Q: Eu estou consciente de que vim aqui porque Maharaj me dá um espelho, mas desta vez ele está me mostrando que eu sou meu próprio espelho.
M: É por isto que voce náo deveria ficar muito tempo.
Q: Após nossa partida, o que deveríamos fazer?
M: Isto é com voce. Se voce se acolhe na consciencia tudo acontecerá espontaneamente. Se voce ainda está no nível do corpo-mente, voce pensará que está fazendo algo. Se voce realmente absorve o que eu digo, voce se torna um com seu Self. Então as pessoas lhe servirão, elas cairão a seus pés. Tudo o que voce necessitar acontecerá. Atividades são fadadas a acontecer. A Consciencia nunca pode permanecer inativa, ela estará sempre ocupada – esta é sua natureza. Quando voce está aqui, voce tem certas expectativas, certas aspirações, mas após escutar a minhas palestras voce perderá todas elas.
Q: Mesmo quando eu tenho um entendimento intuitivo disso, o que é esta relutância de abandonar tudo o que eu náo sou?
M: Voce não se estabilizou firmemente naquele entendimento. Sua convicção deveria ser tal que nenhuma pergunta deveria surgir no futuro sobre isso. Por exemplo, uma pessoa está morta e foi cremada, tudo se acabou, existe alguma questão sobre isso? Da mesma forma isso estará terminado.
Q: Que esforço eu preciso fazer naquela direção?
M: Sem esforço, simplesmente seja.
Quando a consciencia compreende totalmente a consciencia, ela tomará o corpo como sendo ela mesma? Ela é em totalidade; ela não vai pegar um fragmento da manifestação e dizer, “eu sou isso.”.
A consciencia expressa a si mesma como a luz faz.
25 de Novembro de 1980
M: As pessoas vêm aqui e ficam por dias, semanas, até meses. Nos primeiros poucos dias o que eles escutam toma raiz, e é aí que eles deveriam partir, de modo que o que criou raiz tenha tempo para crescer e desabrochar. Tão logo as sementes criem raiz, eles devem partir. O que criou raiz deve florescer, deve expressar-se dentro de cada coração.
Q: Maharaj tem dito, a esse respeito, que os ensinamentos eram de seu Guru, mas a compreensão é dele.
M: Meu Guru me disse que a própria consciencia é o Guru, todos os outros desenvolvimentos brotaram dentro de mim. A fruta deveria crescer em sua própria planta. Eu náo deveria impor minha compreensão sobre voce.
Eu náo dou nenhuma importância ao conhecimento tradicional. Se voce faz uma pesquisa mínima sobre tradição voce verá que ela é toda conceito. Eu me preocupo apenas com um fato. Aqui eu estava em minha totalidade, nem ao menos atento de minha atenção, então derepente esta consciencia se expandiu. Como isso ocorreu? Esta é a questão que precisa ser investigada.
Voce deve compreender quão esperto é esse truque de Maya; primeiro ele mostra nos seu corpo e nos faz crer que somos o corpo, mas o corpo náo é nada senão um esperma fertilizado, e naquele esperma a consciencia está latente. Voce vê o que é uma fraude?
A essência do corpo é a essencia da comida, e esta consciencia repousa dormente nela desde o verdadeiro começo. Naquele estado de consciencia está o universo inteiro. Tendo visto isso, quem quer que seja que tenha compreendido tem que calar-se, sabendo que isso é somente um acontecimento transitório. Uma enorme estrutura de conceitos que nos é ensinada como sendo conhecimento está baseada sobre a simples aparência de consciencia.
05 de Dezembro de 1980
M: Esta doença confirmou que náo existe nenhuma personalidade, nenhum individuo. Doença para quem? A doença é parte do funcionamento do manifesto inteiro, dinâmica Chaitanya; ele é o jogo da consciencia. Meu estado verdadeiro é anterior à consciencia. Este estado náo depende da consciencia.
Há um (couplet) que cantamos nos Bhajans, para Chakrapani. Chakrapani significa aquele “Seidade”, (“eu sou”), o principio da vida, o principio manifesto. É como o isqueiro. O gás em si náo tem luz, mas sua manifestação é a chama; ele está cheio de luz, vida, energia. Até mesmo no átomo e no sub-atomo, aquela energia está.
O funcionamento da consciencia acontece espontaneamente, e não se sabe o que acontecerá. Por exemplo, eu digo algo e M. o traduzirá de uma forma, B. o traduzirá de outra, em qualquer das formas que eles a compreenderam. É assim que o processo acontece. Este Chakrapani é como a “roda voadora”, como disse o Sr Krishna, “girando todos os seres.” Aquela energia que move todas as coisas no estado desperto está latente no sono profundo. Quanto tempo se está inconsciente da consciencia? Náo se sabe, mas derepente a consciencia surge. Náo é surpreendente que a consciencia que deveria permanecer latente por algum lapso de tempo, de repente surge espontaneamente?
Q: A consciencia universal alguma vez está inconsciente de si mesma como consciencia universal, ou ela se conscientiza somente quando existe uma forma?
M: Consciencia náo está atenta de sua atenção. Se voce se envolve demais no que eu estou dizendo voce jogará os livros que voce está escrevendo; todos eles.
Q: Eu terminarei os livros, depois eu estarei acabado.
M: [para Jean Dunn] Voce me prometeu que completaria os livros. A consciencia universal náo escreverá os livros. Como voce escreverá os livros?
Q: Acontecerá espontaneamente.
8 de Dezembro
M: Eu estou falando sobre a consciencia a qual trabalha através deste corpo no momento, mas a qual náo é visível. Esta consciencia náo está limitada a este corpo, ela é consciencia universal; Eu náo posso falar nada mais agora. Uma pessoa que já está morta náo está preocupada com nada. Se a pessoa gosta disso ou não, náo importa. Talvez voce esteja obtendo algumas bênçãos, alguns benefícios por estar escutando minhas palestras, eu náo sei.
Todas as minhas ações são ações da consciencia universal parecendo trabalhar através do corpo. Eu não me lembro de algo do passado e depois ajo. Todas as ações são do agora.
Q: De onde vem a consciencia?
M: Ela nunca vem nem vai, ela simplesmente parece ter vindo.
Q: Por que Maharaj sabe isso e nós náo?
M: Náo é difícil pra voce saber também, mas com qual identidade voce está perguntando?
Q: Isso é karmico, pode o karma ser mudado?
M: Tudo é a consciencia trabalhando, nem isso nem aquilo trabalhando; tudo é consciência.
Q: Maharaj pode por compaixão, me dar um empurrão para dentro daquele estado de consciencia universal?
M: Sim, claro, eu posso fazer isso, mas voce deve me ouvir, voce deve ter uma fé completa em tudo que eu lhe disser sobre voce mesmo, e voce deve comportar-se em consonância com isso.
Por natureza eu sou não-manifesto e ainda assim eu sou manifesto, mas eu sou realmente náo manifesto. Voce pode viver assim, como não-manifesto?
Tão logo o atributo esteja lá, a qualidade do atributo, o “eu sou”, está lá; portanto, eu posso falar assim. Se ele vai embora, o que acontece? O senso de “eu” veio e se foi, isso é tudo, eu não vou morrer. Aquele que rejeitou sua identidade compreenderá.
Q: Maharaj disse que ele não vai morrer?
M: Como alguém que náo nasceu poderia morrer?
Quando as pessoas inicialmente aprenderam sobre esta doença, aqueles que tem afeto por mim vieram conversar comigo, ou escreveram para mim, dando conselhos e remédios. O que quer que tenha que acontecer acontecerá, eu não me importo. Eu não temo assim náo tenho que fazer nada. É normal que aqueles que me tem afeto escrevam e venham discutir coisas comigo; eu não dou ouvido a eles, e isso também está bem, porque eu não estou com medo de nada.
Voce está perguntando, “quem sou eu?” e voce não vai obter uma resposta, porque aquele que obterá a resposta é falso. Você pode ter uma ideia, um conceito, e voce pensará que encontrou a si mesmo, mas isso é somente um conceito; voce náo pode jamais ver seu Ser.
Q: O que é sat-chit-ananda?
M: São palavras. Voce pode considerar que sat-chit-ananda é o limite o qual sua mente pode descrever daquele estado que náo pode ser descrito. Seu verdadeiro estado é não-manifesto, a manifestação vem e as palavras vêm. Aquele que experiencía sati-chit-ananda está lá antes da experiencia.
15 de Dezembro de 1980
M: considere o status que voce alcançou se for capaz de compreender o que eu digo, e se voce compreendeu, não haverá absolutamente nenhum status. Seu valor náo pode ser medido. Você fez todo o dever de casa e agora seu sadhana ou pratica espiritual está dando frutos; agora voce está aqui. Deixe-o crescer em voce. Voce náo precisa ir a mais ninguém após deixar este lugar; esta parte do trabalho já foi feita por você. Por ser merecedor daquele estado de realização é que voce está aqui hoje.
Saiba que “eu sou” sem palavras aquilo que surge pela manha. Conhecer o Self, dissolvendo-se no autoconhecimento, náo é um mero saber intelectual. Voce deve ser ele; e voce náo deveria mover-se dele. Permaneça firme. Mate esta curiosidade de saber o que é dito a outros. Para cada buscador é dado o conselho adequado. A menos que voce se dissolva em sua verdadeira natureza voce náo será capaz de alcançar as profundezas dos outros. Quando voce tentar compreender os outros, a natureza auto-efulgente do Self abrirá completamente. Voce conhecerá a si mesmo no processo. O conhecimento que está sendo exposto aqui voce náo o encontrará em nenhum livro. Agora, tendo lhe dado tanto, voce pode vir me ver amanha ou náo, isso é imaterial, mas náo se esqueça do que eu lhe disse sobre seu Ser.
18 de Dezembro de 1980
Q: Esta consciencia é como uma tela e eu sou a tela.
M: Compreenda o que eu digo sem conceitos; voce está adicionando novos conceitos. Agora vá ao conceito zero. Há muitos buscadores espirituais cujo objetivo é adquirir mérito bastante para alcançar certo lugar, tal como o Paraíso ou Vaikuntha. Eu náo tive nenhum objetivo exceto encontrar. Eu náo estava consciente de minha consciencia, e derepente eu me tornei consciente de que eu sou. Onde e como esta consciencia surgiu em mim? Foi meu questionar, voltando aquele estado onde a presença de fenômeno náo estava. Isso é, conhecimento original do Ser original. Assim, eu voltei, segui este Ser original, e alcancei um estágio onde eu queria saber qual era meu estado antes que esta consciencia surgisse. Esse é o destino o qual eu alcancei. Brahman, Isvara, Deus, tudo isso são nomes, dados à consciencia quando ela está consciente dela mesma. Se voce compreendeu corretamente este conhecimento, qual será sua posição no momento da assim chamada morte? Será a de assistir ao que estiver acontecendo. Esta consciencia gradualmente perde tudo, e por ultimo a consciencia náo está mais consciente de si mesma. Aquele estado náo pode ser descrito. Ele é chamado de Parabrahman, o Supremo Absoluto, mas isso é somente um nome para fim de comunicação.
Esta linha de busca começou quando eu notei que do momento que se acorda até o momento que se dorme, se está sempre ocupado fazendo uma coisa ou outra. O que é que nos compele a fazer essas coisas? Por razão isso acontece? Então eu cheguei à conclusão que isso é meu ser, minha “seidade”, o fato de eu estar consciente de existir, o qual está trabalhando durante todo o dia. Foi assim que minha busca começou.
No corpo o principio inelutável [indwelling] é a consciencia. Fundindo-se na consciencia, ele tornou-se toda manifestação. Agora a transcendência da consciência também ocorreu. Com o aparecimento da consciência, o Absoluto sabe que ele é “eu sou”. Esta é a experiência. Há outras experiências agora, neste fator tempo, mas experiencias estão gradualmente caindo, incluindo esta experiencia primaria “eu sou”. É somente a consciencia que desaparece, o Absoluto está sempre lá.
Q: Isso é espontâneo?
M: Sim. Qualquer experiencia que estivesse acontecendo neste campo do conhecer, o principio Ultimo está contido nele. Ele aceita algumas experiencias como ele próprio. Aceitando as experiencias como a verdade fica-se mais e mais envolvido.
22 de Dezembro de 1980
M: Agora mesmo eu estava deitado em estado desperto, mas sem perceber ou receber qualquer palavra, algo como um estado pré-palavra.
Agora os últimos traços de personalidade ou individualidade me deixaram. No ultimo ano eu costumava falar às pessoas com certa afeição, mas isso náo está disponível agora. Meu lugar de batalha no mundo material se foi agora; presentemente ele está na esfera mais sutil, como no espaço.
O efeito destas palestras é que voce se estabilizará na própria fonte da qual as palavras brotam. Fundindo-se na dinâmica, a consciencia manifesta está fundindo-se nas palavras do Guru. O significado do mantra que lhe dei é que voce é o principio dinâmico, manifesto, náo o corpo. Quando voce fundir-se com ele, voce se tornará o mesmo.
As pessoas pensam que estão vindo aqui por sua própria vontade, mas é a consciencia que os está trazendo aqui, porque a consciencia quer este conhecimento.
Minhas palavras são endereçadas à consciencia, “voce se identificou com o corpo, mas voce náo é o corpo”. É o conhecimento que deve compreender sua própria natureza, e fundir-se como o conhecimento que é sua fonte.
As pessoas vêm aqui pedir por bênçãos; elas náo entendem que o conhecimento de que náo se é o corpo, mas a consciencia dentro, é que é a benção.
25 de Dezembro de 1980
Q: quando estamos ocupados com nossos trabalhos mundanos, o que deveríamos manter em mente?
M: Por estar lá o principio “eu sou” está se movendo por tudo. Para reconhecê-lo, voce veste vários uniformes a fim de lhe dar uma identidade, mas este principio já está lá, e por causa daquele principio voce está se pondo em várias atividades. A menos que voce use o uniforme (o corpo) voce não será capaz de conduzir nenhuma atividade.
Este conhecimento é para o principio Isvara, o qual está presentemente preso na ilusão de que é o corpo-mente. Voce aceitou a identidade do uniforme e esta identidade tornou-se seu ego.
Isvara é o principio manifesto pelo qual toda atividade é levada a cabo. Ele não tem nenhuma forma – as formas são dadas por causa do jogo dos cinco elementos. Agora, aquele principio está completamente perdido no uniforme e só é reconhecido pelo uniforme. Voce tem medo da morte porque voce teme perder sua identidade, o corpo.
Uma vez que o uniforme está disponível para voce, de todas as formas, use-o, mas compreenda que voce náo é o uniforme.
Q: O que fazer quando o uniforme se torna um problema?
M: Volte-se para dentro de seu próprio Ser, seja um com seu verdadeiro Ser.
Esta qualidade “eu sou” [“seidade”] se alegra com várias experiencias. Ela se torna um mendigo ou um Rei.
Este corpo é eterno? O corpo muda durante toda a vida, que identidade é você?
Q: Eu identifico a mim mesmo com meu corpo, eu sei disso.
M: Quem?
Q: Eu.
M: Dê uma fotografia do significado da palavra “eu”. Voce não é capaz. Este principio não tem nenhum nome, ou forma. Minha firme conclusão é que tudo o que se faça através do uniforme é perecível, não permanecerá. Que uniforme tem alguma permanência? Uma vez que voce saiba que não é a forma ou o nome daquele uniforme, está acabado. Suponha que voce tenha herdado alguns milhares de rúpias e derepente o governo declare que elas estão invalidadas.
Uma vez que voce descarte este uniforme “eu sou”, o que permanece é o Parabrahman. Aquilo que está sempre corrente é Parabrahman.
Q: Maharaj me ajudará a descartar meu uniforme?
M: Qual é a necessidade? Ele não é eterno, ele nunca foi.
Q: Nós náo descartamos os nossos, este é o problema.
M: Agora, diga-me, quando o saber náo estava lá, que experiencias voce teve? Este pequeno toque de “eu sou” e voce sente a existência de si mesmo no mundo.
Q: Como abandonar este saber?
M: Onde está a necessidade? Se voce aceita aquele uniforme como si mesmo, então a questão de abandoná-lo estará lá. Abandone sua identidade com o corpo, tente conhecer a si mesmo. Isto é meramente Sabedoria, voce náo pode perceber este estado. Voce vem aqui porque voce é ignorante, náo porque voce é versado. Este conhecimento que eu dou é somente para remover a ignorância.
26 de Dezembro de 1980
M: De que este corpo é criado?
Q: Ele é uma expressão da consciencia.
M: Nó é este corpo composto de 5 elementos? Voce sabe que voce existe; este conhecimento náo depende dos cinco elementos? A consciencia náo pode ser conhecida sem o corpo. Ela depende da forma.
Q: Voce quer dizer que sem o corpo eu náo se que eu sou?
M: Correto. Por sua própria experiencia, náo o que voce ouviu ou leu, voce pode saber que existe sem o corpo?
Q: Eu existo sem este corpo.
M: Esqueça o que voce leu. Quando voce náo tinha a experiencia deste corpo, voce tinha a experiencia de ser?
Q: Meu Inglês náo é muito bom, eu não consigo expressar isto, mas eu sei que “eu sou”.
M: Antes de voce nascer, voce poderia sentir ou perceber ou saber que voce existia? Um jnani está livre porque ele sabe que o corpo é feito dos cinco elementos e que funciona de acordo com a natureza destes elementos. Eu vejo este corpo, mas não estou ligado ao que quer que aconteça aquele corpo.
Q: Então o que sou “eu”?
M: Quem está perguntando?
Q: Náo há nada aqui, nenhum “eu”?
M: Quem está perguntando isso?
Q: Há um senso de algo, eu não sei o que é.
M: Se voce sente este senso de algo, isso pode ser a verdade? Quando esta consciencia é tomada pela névoa, quem existe para dizer que estado é este?
Q: Eu náo sei.
M: Por que sua ‘Seidade” náo está lá, voce náo conhece a si mesmo. Quando voce começou a saber que voce é, voce cometeu vários erros, mas quando o “eu sou” náo está lá, náo existe a questão de erros.
Q: O “eu sou” está lá todo o tempo, enquanto o meu corpo está lá?
M: O “eu sou” está ausente somente no estado de samadhi, quando o self funde-se no Ser. De outro modo, ele estará lá. No estado de uma pessoa realizada o “eu sou” está lá; ele simplesmente náo dá muita importância a ele. Um jnani não é guiado por um conceito.
Q: Nós temos um relacionamento, Maharaj, quando eu penso que eu devia estar aqui com voce?
M: O próprio pensamento é o relacionamento.
Q: A intensidade de meu anseio em estar aqui me fez pensar se Maharaj pensa em seus discípulos.
M: Eu penso neles mais do que voce sabe.
30 de Dezembro de 1980
Q: Penso que deve haver beleza em toda a manifestação.
M: Voce náo devia se envolver no que apareceu. Tome uma arvore – o tronco, as folhas, as flores, o fruto, todos tem uma natureza diferente. Se voce se envolve nestas aparências, voce perderá o foco da fonte, a arvore.
Intelectualmente, voce compreendeu, mas voce tem que ser um com isso, voce tem que se identificar com o que voce compreendeu. Compreender que a semente deste corpo é o esperma do pai misturado com o óvulo da mãe. Esta é a semente da manifestação do fenômeno, mas eu náo sou a semente, eu náo sou nem o fenômeno nem a consciencia, a qual é limitada no tempo.
Os nomes e formas os quais voce vê são somente consciencia. Sua consciencia é muito pura e é por isso que voce é capaz de julgar. O Atman é sem cor, mas é capaz de julgar as cores, etc.
Seu sadhana acabou; voce alcançou este lugar.
Este conhecimento é para aqueles que náo tem desejos. O autoconhecimento é o conhecimento mais precioso
Para voce que buscou o Self eu explico este tipo de conhecimento. Eu conduzo voce ao estado onde náo há nenhuma fome, nenhum desejo, portanto não me inclino a convidar para minhas palestras aqueles que estão preocupados com suas posses e suas relações.
Quando voce tem conhecimento voce vê que a consciência “eu” é toda envolvente, enquanto a consciencia estiver lá; mas a testemunha da consciencia náo tem nenhum “eu sou” e esta é sua verdadeira e eterna natureza.
O “eu amo” faz surgir um grande contentamento; e ao mesmo tempo náo há nada tão miserável quanto o “eu amo”.
Abandonar o corpo é um grande festival para mim.
Qual é o valor de todas as atividades dos seres humanos? É tudo entretenimento, somente um passa tempo. Voce só obtém prazer quando se esquece de si mesmo; em sono profundo voce esqueceu-se de si mesmo, isso por si mesmo é contentamento.
É o Atman, e não a personalidade que é levado à espiritualidade.
Eu náo vou expor o conhecimento no futuro; umas poucas palavras aqui e ali será tudo.
03 de Janeiro de 1981
M: A qualidade de Ser (“Seidade”) tem a qualidade para tornar-se o que quer que voce pense. Com qualquer conceito que voce alimenta a consciencia ela o provê com aquilo. Qualquer coisa a que voce se aferre intensamente está fadado a acontecer, esta é a qualidade de sua consciencia. Voce nunca deveria pensar que é o corpo.
Consciencia náo é o corpo. Como resultado do corpo, “Seidade” é sentida, mas “Seidade” é toda pervasiva.
A Consciencia só sente a expansão da consciencia, mas eu, o Absoluto, náo sou aquilo.
Tudo o que é conhecido é conhecido pela consciencia, está no campo da consciencia. A consciencia e o conhecimento desvanecerão quando o corpo de comida morrer. O Absoluto sempre permanece. A semente do conhecimento está plantada em voce por estas palestras; agora voce tem que acompanhá-lo, ruminá-lo, de forma que a arvore do conhecimento cresça.
04 de Janeiro de 1981
Q: Estive ponderando sobre o que Maharaj disse sobre “toda consciencia ser o mesmo” esta manhã, e por poucos segundos, aconteceu como se tudo fosse único e eu estava por trás disso. É esse o alvo?
M: Este não é o alvo, ISTO É ASSIM. Isto está lá e é somente por causa da identidade com o corpo que o que é, não parece com o que é.
Por favor, compreenda que só existe uma coisa para ser compreendida, que é: voce é o sem forma, sem tempo, inato (o que não nasceu). É por causa de sua identificação com o corpo como uma entidade que sua consciencia, que é universal, pensa que está morrendo. Ninguém está morrendo, porque ninguém nasceu.
Os milhares de formas são a manifestação da consciencia. São as milhares de formas que são criadas e destruídas, porem a consciencia universal é em si mesma inata (não nascida) e imortal. Simplesmente imagine se todas as milhões de formas que foram criadas ainda estivessem aqui – como outras formas poderiam ser criadas?
Voce está buscando conhecimento a partir do ponto de vista da identificação com o corpo e com o que pode ser captado pela mente. Quando esta maquina corpo está lá, a técnica de usá-lo está lá, e é com ele que voce está se identificando agora, porém ele não é sua verdadeira identidade. Voce não tem qualquer controle sobre ele, ele apareceu e ele desaparecerá.
Eu falo com voce da perspectiva da consciencia universal e eu sei que todos os corpos são a essencia da comida e que eles se desvanecerão.
07 de Janeiro de 1981
Q: Agora, a toda hora que algo acontece, ao invés de me envolve com isso eu estou vendo que tudo é aquele “eu sou”. Eu estou experienciando isso.
M: O Testemunho se dá, não há nada a ser feito. É a liberdade total para aquele que não se identifica com o corpo.
Q: Tudo está acontecendo por si mesmo e eu não me preocupo com isso.
M: Se for assim, significa que voce compreendeu tudo e não há nenhuma necessidade de voce permanecer aqui por mais tempo.
Q: [outra pessoa]: É diferente para mim. Eu tenho que fazer esforço para não me envolver em pensamentos quando medito.
M: É da natureza da força vital expressar-se através de pensamentos e palavras, assim, eles continuarão a vir. Se voce tem que fazer esforço no começo para náo se envolver, faça esse esforço até que isso se torne não-esforço.
Q: O jnani tem uma mente e pensamentos também?
M: Ainda que pensamentos venham e vão, o jnani não toma conhecimento. Pensamentos virão à consciencia; o testemunho também tem lugar na consciencia. Voce dever ter convicção de que é consciencia. Então não há nada para ser feito por voce; deixe a consciencia fazer o que precisa ser feito. O que quer que aconteça, acontece espontaneamente.
Q: Onde é o assento da consciencia?
M: Em cada partícula de fluido do corpo. Os livros de escritura dizem que há vários chakras. Eles estão disponíveis se voce quer localizá-los assim, mas de acordo comigo, eles estão em todo o corpo.
Q: Qual é a diferença entre o corpo e a consciencia?
M: Qual é a diferença entre açúcar e doçura? A doçura está no açúcar do suco da cana. No corpo, a doçura é o conhecimento de que voce é a consciencia. Este conhecimento é devido a que? Qual é o pré-requisito para a consciencia?
Q: É o corpo?
M: O corpo é necessário para sustentar a consciencia; para o corpo ser, a comida é necessária, não é?
Q: Sim.
M: Se o corpo não permanece, a consciencia não permanece. Na ausência do corpo e da consciencia, o que voce é?
Q: Eu não sei.
M: Agora voce quer obter algum beneficio alguma vantagem para si mesmo. Para quem é o beneficio?
Q: Consciencia.
M: Se voce não é o corpo ou a consciencia, então o que é voce? Quando voce realiza o Autoconhecimento, então o self é libertado, liberado.
Q: E então?
M: Então voce sabe, definitivamente, quem voce é. Aquilo pelo qual voce sabe, voce sabe/conhece aquilo também.
Q: Isto é liberação?
M: Liberação significa o que? Não está mais lá. [acendendo e apagando seu isqueiro]. Este isqueiro é o corpo; a consciencia é a chama. Agora ele não está mais lá; está liberado. Onde está a necessidade de rotulá-lo na ausência de consciencia?
Fim.
2 comentários:
Olá amigo! Muito grato por postar essas pérola do Advaita!
Alsibar
http://alsibar.blogspot.com
alsibar1@hotmail.com
Adorei o texto! Muito obrigada!
Fiquei curiosa sobre as tais palestras que Maharaj se referiu:
"Minha recomendação é que ninguém venha e escute porque eles desenvolverão um desapaixonamento por suas famílias e pela vida diária."
Que palestras são essas?
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